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Apucarana, 07 de Agosto de 2020

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Cláudio Silva
Educação
Ex-secretário de Educação em Apucarana e ex-presidente da UNDIME-PR. É proprietário da Escola Nossa Senhora da Alegria e Colunista do AN Notícias e Jornal Apucarana Notícias.
Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, pois o Site e Jornal Apucarana Notícias pode não comungar com as mesmas ideias.
16/03/2011 09h08

O PERIGO ATÔMICOO alerta que vem do Japão

*por Cláudio Silva

Neste momento  o  mundo  está  com os olhos  voltados  para o  Japão. O  alerta  nuclear  tantas  vezes observado foi  soado. As autoridades vão  dosando  a dimensão  da  catástrofe, ampliando-a gradativamente a cada  novo  anúncio. O  perigo  atômico, passa  de  hipótese à  realidade, principalmente  quando se unem outros eventos  como  o  de Chernobyl, na  Ucrânia (1986), considerado  o maior  acidente nuclear da  história, e  o de Goiânia (1987) aqui  no Brasil, com a  contaminação  de  pessoas  expostas ao    Césio – 137. Uma  confluência  de fatos, tremor, tsunami e perigo  nuclear, retoma  o  tema sempre presente  do   respeito ao  homem e à  natureza, e  novamente  proposto pela  Igreja Católica para  reflexão durante  a  Campanha  da  Fraternidade. Enquanto  escrevo  este  artigo, leio  a  manchete   “Medo  da  radiação provoca  fuga  de  moradores e  turistas  de  Tóquio”. Uma  notícia  que somada  às  imagens  do terrível tsunami, somente poderia  ser imaginada,  há bem  pouco  tempo,  apenas  no  terreno  da  ficção. Cenas  tão  impactantes, pelo  realismo  das  transmissões que têm vindo  do  Japão, que no   fim  de  semana minha filha Kiki perguntava   à  mãe se  as  previsões  do  filme 2012 (2009), do diretor Roland Emmeriche, já estavam  se  cumprindo, tal a  semelhança. Coincidentemente, justamente um cineasta  japonês Akira  Kurosawa (1910-1998), foi  quem produziu os mais  contundentes  alertas quanto  ao  perigo  nuclear, em obras memoráveis como  Sonhos (1990) e Rapsódia em Agosto (1991).  Filmes que por  um bom tempo utilizei nas  aulas de  Ética para  discussão  com os  alunos, e  que  recomendo para  reflexão nestes  dias. No filme Sonhos, idealizado  a  partir  de  sonhos reais que teve, são apresentados em oito  episódios isolados, oito  sonhos, como pequenos  “filmetes”, mas  que  guardam relações entre  si.  Dois  episódios abordam o perigo  nuclear  e  possíveis  consequências. Em um deles, Monte Fuji em Chamas, aborda  coincidentemente  a  explosão  de  três  usinas  nucleares no Japão e  as  fumaças  da  radiação  que  causam  câncer, mutação  e morte. O  diretor procura  associar a  beleza  à imprudência do  homem. Em outra sequência,  denominada  O  Demônio  Que  Chora , projeta, hipoteticamente, o  sofrimento  causado por  mutações  genéticas  derivadas  da  radiação,  que  transformam os  seres  humanos  em criaturas  de  aparência  horripilante e com atitudes bestiais, que  se  entredevoram na  luta  pela  sobrevivência,  num mundo  que não mais  consegue produzir  alimentos. E finaliza  com a sequência bucólica denominada O Vilarejo  dos  Moinhos, em que procura  resgatar  a  singeleza  da  vida do homem em harmonia  com a  natureza, consigo  mesmo e com os  seus semelhantes. Lembro-me  de  que  quando  projetava  essas  cenas  para  os  alunos, elas  sempre  causavam impacto  e  calorosos  debates. Mas  tudo o  que  se  discutia à  época  parecia  algo distante e com possibilidades  remotas  de  efetivamente  ocorrer.  Hoje  vemos  que  não. A  “natureza em fúria” tornou-se  fato  recorrente. No Brasil e  no  mundo, recentes ocorrências  vão se  sucedendo de forma  assustadora, com uma  infinidade  de  vítimas. Aqui ainda vivemos  o  impacto das últimas enchentes em S.Paulo, soterramentos na região  serrana  do  Rio  e  em Santa  Catarina, seca  no Rio  Grande  do  Sul, mortandade de  peixes  nos rios  da  Amazônia e as atuais enchentes no litoral do Paraná.  Apenas  para  citar. Os  alertas  dos  cientistas   vêm de  há muito. Assim como de  personalidades como Al  Gore que produziu o instigante  documentário An Inconvenient Truth, ou Uma Verdade Inconveniente, sobre o aquecimento global  e  suas  consequências.  Nele, ele antecipa  cenas  que  estão  sendo apresentadas nestes  dias  na  TV, ao mostrar o que acontecerá às regiões costeiras dentro dos próximos anos com a elevação do nível do mar causado pelo derretimento das geleiras. Quais  as  constatações a  que  podemos  chegar? Penso  que  a  humanidade  não  padece  mais  de  falta de informações  e  alertas, mas  de  gestos individuais  e coletivos que demonstrem conversão, mudança verdadeira de atitudes. É como o  caso  das  campanhas  sobre os  perigos do  tabagismo, alcoolismo ou a  violência  no trânsito. Paradoxalmente crescem as  estatísticas de pessoas que continuam morrendo por  causa  do  cigarro  e  direção  irresponsável. A mudança verdadeira começa  por  mim e  por  você, a partir  de pequenos  gestos  que  demonstrem uma mudança  radical de procedimentos, de respeito  pela  vida, respeito para consigo  mesmo, aos  nossos semelhantes e  à  natureza. Pequenos  gestos, que somados, constituem-se numa  verdadeira  revolução pela vida. Finalizo recordando a antológica Rosa de Hiroshima, poema  de Vinícius  de Moraes, musicado por  Gerson Conrad e sucesso  na  voz  de  Ney  Matogrosso: “Pensem nas  crianças mudas telepáticas/pensem nas  meninas cegas inexatas/pensem nas  mulheres rotas  alteradas/pensem nas  feridas como rosas  cálidas/Mas, oh, não  se  esqueçam  da rosa, da  rosa/Da rosa  de Hiroshima a rosa  hereditária/A  rosa  com cirrose a  anti-rosa atômica/sem cor sem perfume sem rosa  sem nada”. Na  missa  de  domingo o  Pe. Carrara recordava o  adágio popular: “Deus perdoa  sempre, o  homem  às vezes  e  a  natureza  nunca”. Será que ainda  dá  tempo ?

                        Um abraço e uma  boa semana!

*Cláudio Silva é mestre em Educação, Secretário de Desenvolvimento Humano de Apucarana-PR e presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação-UNDIME/PR.                                                                                                    ( mais textos do  prof. poderão  ser  acessados em http://profclaudiosilva.blogspot.com)