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17/01/2015 10h09

Irmão questiona falha humana em acidente que matou CamposSegundo advogado, os laudos do Cenipa tratam de possibilidades, mas não são conclusivos

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O advogado Antônio Campos, irmão do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, questionou nesta sexta-feira (15) as informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo de que as investigações da Aeronáutica sobre o acidente, em agosto do ano passado, concluíram que falhas do piloto levaram à queda do avião Cessna, em Santos, litoral sul paulista. Em nota, ele afirma que os laudos do Centro de Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) tratam de possibilidades em relação ao acidente, mas não são conclusivos. Ainda de acordo com o advogado, que esteve em Santos na quinta-feira, laudos primam por recomendações quanto a procedimentos de prevenção de acidentes aéreos.

“É estranho que se tenha acesso às investigações da Aeronáutica e se divulgue conclusões antes da divulgação pelo órgão competente. (...) O Cenipa não está fazendo todas as perícias do caso e não pode ter uma visão global do acidente”, escreveu o advogado.

“Após a divulgação oficial das conclusões das investigações da Aeronáutica, bem como a conclusão dos inquéritos civil e criminal em curso, iremos nos pronunciar sobre as causas do acidente. Até lá, é prematura a conclusão noticiada, até porque está pendente de conclusão relevantes perícias”.

Outras provas

Antônio Campos afirma ainda que teve uma audiência com o procurador da República Thiago Nobre, que prometeu a conclusão do inquérito policial e civil para fevereiro. Segundo ele, o procurador ainda aguarda a conclusão das perícias, que “poderão ainda não ser definitivas sobre o caso, podendo ter provas complementares”.

De acordo com as informações do jornal, não foi encontrado indício de falha técnica do avião. A caixa-preta do jato que levava o político não registrou as últimas duas horas de voo, por isso não foi utilizada nas investigações.

Ainda de acordo com a publicação, entre os erros do piloto Marcos Martins estão falta de treinamento para o modelo de aeronave e uso de “atalho” para acelerar o procedimento de descida. Martins abortou o pouso, arremeteu bruscamente, operando os aparelhos em desacordo com as recomendações do fabricante do avião, o que acabou levando à “desorientação espacial”.

No dia 13 de agosto, o avião com Campos, que cumpriria agenda de campanha em Santos, saiu do aeroporto Santos Dumont, no Rio de janeiro, em direção ao Guarujá, e caiu em uma área residencial de Santos. Não houve sobreviventes.

Além de Campos, estavam na aeronave o assessor Pedro Almeida Valadares Neto, o assessor de imprensa Carlos Augusto Ramos Leal Filho (Percol), Alexandre Severo Gomes e Silva (fotógrafo), Marcelo de Oliveira Lyra (staff da campanha) e os pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha. O acidente que matou o presidenciável aconteceu no mesmo dia da morte do avô dele Miguel Arraes.

Líderes do PSB questionam investigação do acidente que matou Campos

Líderes do PSB reagiram com surpresa à conclusão das investigações da Aeronáutica que apontou a sucessão de falhas humanas como causa do acidente aéreo que vitimou o presidenciável Eduardo Campos em 13 de agosto de 2014. Os dirigentes questionam a falta de explicação para o desligamento da caixa-preta de voz e a razão pela qual o piloto Marcos Martins sofreu "desorientação espacial" sem que os aparelhos do moderno Cessna Citation ou o copiloto Geraldo Magela Barbosa percebessem que o jatinho estava em movimento de descida e não de subida.

O vice-governador de São Paulo, Márcio França, e o líder do PSB na Câmara dos Deputados e vice na chapa presidencial de Marina Silva, Beto Albuquerque, contaram que voaram algumas vezes naquela aeronave e que nunca souberam de atritos ou indisposição entre piloto e copiloto. Os líderes revelaram que Campos sempre voou na campanha com Martins e Magela e elogiaram a experiência destes profissionais. "Ele (Campos) gostava muito deles. Se referia a eles como caras hábeis. Só ouvi elogios sobre eles", disse Albuquerque.

França viu o resultado das investigações da Aeronáutica com desconfiança e disse que esperava um trabalho mais "esclarecedor". O vice-governador de São Paulo põe em dúvida a teoria da "desorientação espacial" do piloto e questiona se é possível que os instrumentos da aeronave e até o copiloto também tivessem perdido a referência do avião em relação ao solo. "Era preciso que os dois (piloto e copiloto) entrassem em desorientação. Mas até onde sei, os aparelhos não desorientam", afirmou.

Os dirigentes acham difícil um piloto comercial com a experiência de Martins cometer os erros apontados pela Aeronáutica. "Pode até ser, mas falha humana é uma conclusão simplista", opinou França.

O PSB contratou um técnico em acidentes aeronáuticos para acompanhar as investigações do acidente e avaliar o resultado da apuração oficial. O partido vai pedir acesso ao relatório da Aeronáutica, mas aguardará a conclusão do inquérito para se posicionar oficialmente. "Como morto não fala, tudo o que se imputar a quem morreu pode resolver para alguém, mas para nós não resolve", emendou Albuquerque.

Procurada, a candidata derrotada à Presidência da República Marina Silva não se pronunciou sobre o tema. A assessoria da ex-senadora alegou que ela não tem conhecimentos técnicos sobre o assunto para se manifestar. Já o porta-voz da Rede Sustentabilidade, Bazileu Margarido, que na época do acidente era um dos coordenadores da campanha, disse que o grupo espera por um posicionamento oficial da Aeronáutica sobre o que causou a queda do avião.

Nos bastidores, os pessebistas dizem que querem explicações para o não funcionamento da caixa-preta de voz, para o fato da mala de Eduardo Campos ser recuperada intacta dos destroços e de, até o momento, não se saber se alguém estranho à equipe de campanha teve acesso à aeronave antes do trágico voo. Na época do acidente, militantes e simpatizantes do então candidato à presidência da República acreditavam que Campos tinha sido vítima de um "atentado" político.

Prestação de contas

O acidente aconteceu durante a campanha presidencial, quando Campos se deslocava do Rio de Janeiro para um compromisso em Santos. Logo após a tragédia, foram levantadas dúvidas sobre a propriedade do jato Cessna Citation e suspeitas de que a aeronave teria sido paga com dinheiro de caixa 2. Três empresários de Pernambuco ligados ao presidenciável se apresentaram como compradores do jatinho.

O PSB chegou a informar que os valores pelo uso do jatinho seriam lançados na prestação de contas da campanha, o que não ocorreu. Segundo França, que assumiu a tesouraria da campanha de Marina, para lançar o uso da aeronave na prestação de contas final seria necessário calcular os gastos com base nas horas voadas, mas os documentos se perderam no acidente. Ele informou que o PSB pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) um levantamento sobre a quantidade de horas voadas pelo Cessna, mas não obteve resposta.

Fonte: AN Notícias com Jornal de Londrina