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16/08/2015 11h43

O lugar mais elétrico da Terra: 28 relâmpagos por minutoO fenômeno é conhecido por vários nomes, entre eles, Farol de Maracaibo

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Raio cai no lago Catatumbo, na Venezula no dia 28 de janeiro de 2014 (Foto: Xinhua/Alamy)

Você certamente já ouviu o ditado "um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar". Mas, o lago Maracaibo, na Venezuela, é a prova de que isso não é verdade. Em uma noite tranquila, o local chega a ser atingido por milhares de relâmpagos por hora.

O fenômeno é conhecido por vários nomes, entre eles, Farol de Maracaibo, Relâmpago do Catatumbo e, mais sugestivamente, Tempestade Eterna. Talvez este último seja um exagero, mas é fato que há uma média de 260 dias de tempestade por ano no local onde o rio Catatumbo encontra o Lago Maracaibo.

Ali, o céu noturno é iluminado por nove horas por milhares de clarões de eletricidade produzida naturalmente.

Tempestades de verão são comuns em vários lugares do mundo, mas ao longo da Linha do Equador, onde as temperaturas são mais altas, o céu produz estrondos durante todo o ano.

Até agora, acreditava-se que a República Democrática do Congo, na África Central, fosse a capital mundial das tempestades. É lá que fica o vilarejo montanhoso de Kifuka, atingido, anualmente, por uma média de 158 relâmpagos por quilômetro quadrado. Mas, novas pesquisas tiraram o título do local.

Em 2014, um estudo da Nasa afirmou que o Vale de Brahmaputra, no extremo leste da Índia, tinha a maior taxa de relâmpagos mensais entre abril e maio, quando as monções geram intensa atividade elétrica.
 

Mas o lago Maracaibo acabou ganhando lugar no Livro Guinness dos Recordes pela "mais alta concentração de relâmpagos do mundo", com 250 deles por quilômetro quadrado, todo ano.

O número de tempestades diminui nos meses de janeiro e fevereiro, mais secos, e atinge seu ponto mais espetacular no ápice da estação chuvosa, em outubro. Nessa época do ano, é possível avistar, em média, de 28 relâmpagos por minuto.

Combinação explosiva

Há várias décadas, especialistas tentam entender os motivos da intensa atividade de tempestades na região. Nos anos 60, pensava-se que depósitos de urânio na base rochosa do local atrairiam mais raios. Mais recentemente, alguns cientistas sugeriram que a condutividade do ar sobre a superfície do lago é aumentada pela abundância do metano liberado pelas reservas de petróleo do subsolo.

Mas nenhuma dessas teorias foi comprovada. Por enquanto, o fenômeno é atribuído à potente combinação de topografia e correntes de ar que circulam na área.
 

"Muitos desses lugares cheios de relâmpagos apresentam características comuns em seu terreno: cadeias de montanhas acentuadas, uma costa muito entrecortada ou uma combinação dos dois", explicou Daniel Cecil, da equipe de estudos de raios do Centro Global de Hidrologia e Clima da Nasa.

"Características como estas ajudam a criar um regime de ventos e padrões de aquecimento e resfriamento que podem aumentar a probabilidade de tempestades."

Localizado no noroeste da Venezuela, o maior lago da América do Sul passa pela cidade de Maracaibo para se juntar ao Mar do Caribe. Ele fica em uma bifurcação dos Andes e, por isso, é rodeado por altas cadeias de montanhas em seus outros três lados.

De dia, o forte sol tropical evapora a água do lago e dos pântanos que o cercam. Conforme a noite chega, ventos vindos do mar empurram o ar quente contra o ar frio que desce das montanhas. O ar quente sobe e nuvens cúmulo-nimbo se formam como torres que alcançam 12 quilômetros de altura.

De longe, essas nuvens tão peculiares parecem calmas, mas dentro delas é travada uma batalha: as gotas de água vindas do ar quente e úmido se chocam com os cristais de gelo do ar frio, produzindo descargas estáticas e dando início a uma tempestade elétrica.

 

 

Fonte: AN Notícias com BBC Brasil

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