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14/11/2015 03h02

Prestes a estrear após 20 anos, ‘Chatô’ é acontecimento do cinemaEsses 20 anos foram de dúvidas, acusações de irresponsabilidade, megalomania, roubo. Mais do que isso, para um trabalho tão truncado, podia-se esperar o pior

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“Eis, enfim, um filme de fato histórico”, disse Rafael de Luna, professor da UFRJ. E, com efeito, “Chatô, o Rei do Brasil” não é apenas sobre um personagem ou um momento da história do Brasil. É também um acontecimento da história do nosso cinema. Entre seu anúncio inicial e seu lançamento transcorreram uns 20 anos. A estreia, ainda não confirmada oficialmente, está prevista para a próxima quinta-feira (19).

Esses 20 anos foram de dúvidas, acusações de irresponsabilidade, megalomania, roubo. Mais do que isso, para um trabalho tão truncado, podia-se esperar o pior.

Pois aí é que está a surpresa. “Chatô” pode ter mais um sentido histórico, embora menos relevante: é a primeira vez que se faz, de um livro de Fernando Morais, uma adaptação decente.

E Assis Chateaubriand não é um personagem dos mais fáceis. Esse “Cidadão Kane” à brasileira ocupa um período histórico amplo: nele cabem a Revolução de 1930 e o golpe militar de 1964, a imprensa, a TV, o rádio.

E, nisso tudo, Chateaubriand entra com uma personalidade particular (como um jagunço sofisticado), como sintoma e efeito do atraso brasileiro, como visionário e chantagista, como um tipo dionisíaco.

Ao mesmo tempo era alguém que não perdeu, nem por um segundo, e da pior maneira possível, a percepção do jornalismo como modo de manipulação a ser exercido da pior maneira possível -como poder pessoal a serviço de projetos pessoais. E, no entanto, esses projetos não raro coincidiam com o que de melhor podia ser feito para o país (o Masp, por exemplo).

Como sintetizar a trajetória desse homem de muitas vidas não era fácil, Guilherme Fontes encontrou um modo eficaz e moderno de fazê-lo: suprimindo a cronologia em favor do modo de ação.

Isto é, conhecemos Chateaubriand não pela sequência dos acontecimentos em que se envolveu, mas pela natureza de suas ideias -as melhores e as piores.

Se, por um lado, Fontes conseguiu dar conta desse personagem complexo, teve ainda a gentileza de nos libertar do tipo de narrativa histórica lamentavelmente quadrada a que nos tem condenado habitualmente o cinema brasileiro. E, apesar de todos os tropeços, criou um filme bem atual.

Fonte: AN Notícias com Gazeta do Povo

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