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07/11/2016 12h39

Redação do Enem une líderes religiosos e ateu na defesa do respeitoExame propôs reflexão sobre combate à intolerância religiosa no Brasil

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Com a divulgação do tema da redação do Enem 2016, "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, a internet foi tomada por discussões a respeito da escolha do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Para professores, o assunto provavelmente foi trabalhado na preparação dos estudantes e está longe de ser uma surpresa. Para líderes de diversas crenças ouvidos pelo G1, o debate do tema é um passo importante no combate ao preconceito religioso.

“É um tema interessante. Colocar o assunto na redação é importante porque na sociedada tem que ter lugar para tudo e para todos. Para tudo que é bom e vai para o caminho da liberdade, da expressão da fé. A intolerância atrapalha muito a vida democrática e é importante que a sociedade saiba aceitar as religiões diferentes”, afirmou Dom Pedro Luiz Stringhini, da Igreja Católica.

De acordo com o católico, é dever do Estado respeitar as religiões. “Esses jovens que estão fazendo a prova são jovens que professam a fé católica, a fé evangélica e outras crenças, jovens que não têm religião... Há uma pluralidade na juventude, então se essa reflexão estimular o pensamento livre, o pensamento bom. É uma reflexão interessante”, completou.

O xeque Jihad Hammadh, líder da comunidade islâmica no Brasil, também vê de forma positiva a escolha do tema da redação do Enem: “Toda discussão dos problemas da sociedade é válida, contando que tenha parâmetros e seja feita de forma estruturada”. Para ele, o assunto é atual e adequado para ser abordado em um exame como o Enem.

 

O muçulmano lembra que a intolerância religiosa cresce no mundo todo. No Brasil, não é diferente, mas, segundo o xeque, no país ele não acontece de forma vertiginosa. “O temor é que isso se multiplique e aí teremos sim um problema de convívio. Por isso é importante discutir o tema”, disse. Ele ressaltou, no entanto, que o assunto propõe um desafio aos avaliadores: “A questão é que tipo de respostas são esperadas, como elas serão avaliadas, por quem e quais as crenças dos avaliadores”.

Outro a elogiar o tema deste ano é Daniel Sottomaior, presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea). Para ele, a discussão sobre a intolerância religiosa no Brasil é importante no contexto atual e deve incluir o debate sobre o preconceito contra ateus. “Acho que já passou da hora de discutirmos esse tema e, infelizmente, as poucas abordagens que existem têm deixado passar questões importantes, como o fato de que o grupo mais discriminado no país é o dos ateus”, afirmou.

Sottomaior observa que, enquanto manifestações de intolerância contra religiões geram inconformismo em vários setores da sociedade, o mesmo não ocorre quando o preconceito é direcionado aos ateus. “Exatamente o mesmo tipo de declaração de intolerância quando dirigida aos ateus não causa comoção nenhuma, não causa notícia. Xingar ateu é um lugar comum da sociedade. Parece haver praticamente um consenso de que os ateus são os vilões.”

Já na opinião de Pai Salum, presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo, a escolha do tema ganha ainda mais importância pelo fato do Enem ser realizado majoritariamente por pessoas mais jovens. “São jovens que estão se interessando pela cultura. Eles estão querendo saber como funcionam as religiões. Isso é muito bom para tirar o preconceito das pessoas. Não quer dizer que eles vão vir para nossa religião, mas mostra que os jovens estão com a cabeça mais atual, mais tolerante”.

Segundo Pai Salum, os jovens de hoje já têm um pensamento mais tolerante do que no passado e a reflexão que a redação do Enem traz pode acelerar este processo de aceitação das chamadas “novas religiões”. “A Umbanda é a que mais tem preconceito neste meio. O Candomblé já não tem tanto preconceito. Umbanda tem mais. Colocaram muita coisa errada na cabeça das pessoas. Até hoje sofremos com isso. Essa redação pode ser muito boa para ajudar a Umbanda”.

A mãe de santo Adna Santos, que teve o terreiro de Candomblé queimado em novembro de 2015 no Distrito Federal, viu a escolha do tema da redação como uma "boa abertura" para discussões envolvendo o assunto. A situação motivou o governo a criar uma delegacia especial para investigar crimes de intolerância religiosa, apesar do laudo da perícia apontar que o incêndio foi acidental. O terreiro só foi reaberto no mês passado.

"Eu acho uma boa abertura para que de fato essas discussões sejam avançadas. Precisamos disso. Quando se tem hoje uma prova dessas com esse tema, ele termina abrangendo todas as pessoas que participam. É uma boa oportunidade para que comecem de fato a pensar nisso e levar adiante. Está na hora de acabar com a intolerância. Precisamos nos repeitar", disse Adna, conhecida como Mãe Baiana.

Fonte: AN Notícias com G1

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