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Apucarana, 19 de Setembro de 2018

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09/06/2018 11h19

Denúncias de ex-aliado provocam terremoto no plano eleitoral de RichaProposta de delação premiada de ex-diretor da Secretaria da Educação arrasta ex-governador para o centro de escândalo de corrupção

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Quando Beto Richa (PSDB) venceu pela primeira vez as eleições para a prefeitura de Curitiba, em 2004, muitos apoiadores e até alguns analistas chegaram a projetar que o então prefeito eleito estava pavimentando uma estrada política para ir além do que conseguiu seu pai, José Richa, que foi deputado federal, prefeito de Londrina, senador e governador do Paraná.

Beto passou sem muitos arranhões pela prefeitura da capital, conquistou a reeleição e chegou a ser apontado em pesquisas como o melhor prefeito de Curitiba, o que abriu as portas para o Palácio Iguaçu. Começavam aí os problemas.

Em 2013, o governo sob seu comando enfrentava uma de suas mais duras crises, com a falência das contas do estado, que em determinados momentos não tinha recursos nem mesmo para gasolina de viaturas policiais e manutenção de delegacias.

Em 2015 veio a crise política. No dia previsto para a votação de um projeto que mudava o custeio do Fundo de Previdência do estado, ocorreu uma tragédia, que ficou conhecida como Batalha do Centro Cívico. A ação truculenta da PM para conter os manifestantes, em sua maioria professores, deixou mais de 200 pessoas feridas, sendo oito em estado grave.

ALÉM DE RICHA:quem são os implicados na proposta de delação de Fanini

Em meio a esses solavancos, denúncias de irregularidades no governo foram se acumulando. Do esquema de corrupção na Receita Estadual, investigado pelo Operação Publicano, ao escândalo do desvio de recursos destinados a obras em escolas, alvo da Operação Quadro Negro, hoje são seis os casos em que o ex-governador é citado em investigações.

O baque mais forte depois que Richa deixou o governo para concorrer ao Senado, em 6 de abril, veio na última terça-feira (5). A divulgação de uma proposta de colaboração premiada feita pelo engenheiro civil Maurício Fanini – réu da Quadro Negro – à Procuradoria-Geral da República (PGR) provocou um terremoto nas pretensões eleitorais do ex-governador.

No documento divulgado com exclusividade pelo Paraná TV, da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), Fanini afirma ter intermediado pagamentos de propina para Richa entre os anos de 2002 e 2015. O dinheiro, segundo o diretor, abasteceu as campanhas de Richa para a prefeitura de Curitiba e para o governo do Paraná, além de bancar gastos pessoais do ex-governador e de familiares.

Maurício Fanini, que está preso em Brasília e tenta um acordo de delação premiada com a PGR, foi diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Secretaria Estadual da Educação (Seed) entre 2011 e 2014.
 

Detalhes

O escândalo do desvio de dinheiro da construção e reforma de escolas no Paraná, investigado pela Operação Quadro Negro, veio à tona em 2015. A estimativa do Ministério Público do Paraná (MP-PR) é de que a fraude tenha ultrapassado o montante de R$ 20 milhões. De lá para cá várias foram as ocasiões em que Beto Richa foi envolvido nas investigações. Agora, o que Fanini traz de novo na proposta de delação são detalhes que, segundo descreve no documento apresentado ao MP, implica ainda mais Richa.

De acordo com o ex-diretor da Secretaria da Educação, o ex-governador não só sabia dos desvios como era procurado diretamente para tratar do assunto. O ex-governador teria, ainda de acordo com a proposta de delação, pedido pessoalmente a Fanini para que ele arrecadasse dinheiro para a campanha de 2018 ao Senado junto às empresas envolvidas no esquema. Os recursos seriam destinados não só à campanha de Richa, mas também a de seu filho, Marcello, e a do irmão, Pepe Richa.

QUADRO NEGRO:Fanini liga mais nove empreiteiras ao pagamento de propina a campanhas

No documento apresentado ao MP, Fanini vai além das acusações de desvio de dinheiro para campanha eleitoral. O ex-diretor envolve também a mulher de Richa, Fernanda, e relata detalhes de viagens que teria feito ao lado do casal e de amigos do ex-governador. As despesas de viagens para Las Vegas, para os EUA e para o Caribe, segundo o ex-diretor da Secretária da Educação, não teriam sido pagas pelo ex-chefe do Palácio Iguaçu, mas sim por empresários que possuíam contratos com o governo do estado.

Sobre um dos filhos do ex-governador, Fanini afirma na proposta de delação que R$ 500 mil em propina teriam sido destinados à compra de um apartamento para Marcello Richa em Curitiba. O dinheiro teria sido pedido por um parente do ex-governador, Luiz Abi Antoun, acusado pelo Ministério Público de ser o “operador político” de uma suposta “organização criminosa” – sob investigação da Operação Publicano – formada por auditores fiscais, contadores e empresários para favorecer a sonegação fiscal mediante o pagamento de propina.

Ainda de acordo com o ex-diretor da Secretaria da Educação, além de Abi, outras duas pessoas intermediavam a propina para campanhas eleitorais de Richa: Ezequias Moreira, ex-assessor, e o empresário Jorge Theodócio Atherino (confira as figuras carimbadas das investigações que cercam Richa ).

Abalo na candidatura

As denúncias de Fanini veem à tona no momento em que Richa prepara sua campanha para o Senado (assista à sabatina da Gazeta com ele ). Apesar do abalo, segundo analistas políticos, as acusações do ex-auxiliar só terão um efeito determinante nas eleições do ex-governador se surgirem novos fatos.

“O conteúdo da proposta de delação de Fanini chamuscam ainda mais o governador, mas é muito cedo para afirmar que comprometem a eleição dele para o Senado. São duas vagas e o ex-governador não tem muitos adversários”, diz Mário Sérgio Lepre, cientista político e professor da PUC-PR.

Na avaliação de Lepre, a questão é “quais são os adversários”. Em um cenário em que Osmar Dias saia para governador e faça aliança com Requião, uma das vagas para o Senado seria de Requião. Ainda assim sobraria uma vaga para o Beto Richa, que não tem um adversário forte no campo da centro-direita”, diz ao acrescentar que tudo poderia mudar caso surgisse um “outsider”, um nome novo que não tenha envolvimento em denúncias de corrupção. “Mas esse nome não existe no momento”, pontua.

O também cientista político Doacir Quadros, professor da Uninter, avalia que o impacto das denúncias na candidatura de Richa poderá ter algum efeito no eleitorado da capital e região metropolitana. Já no interior, dificilmente provocará estragos sérios.

“O ex-governador tem uma grande inserção política nas cidades do interior, uma base estruturada de apoio nos municípios”, avalia.

 

Fonte: AN Notícias com Gazeta do Povo

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