Carregando...

Alerta!

logo Cinco depoentes confirmam propina da Odebrecht ao governo de Richa - Notícias - AN Notícias Cinco depoentes confirmam propina da Odebrecht ao governo de Richa - Notícias - AN Notícias

Apucarana, 12 de Novembro de 2018

SAIBA MAIS

Dia do Supermercado e Dia de São Martinho -
07/09/2018 01h23

Cinco depoentes confirmam propina da Odebrecht ao governo de RichaA defesa do ex-governador Beto Richa contestou a denúncia apresentada nesta quarta-feira

Diminuir texto Diminuir texto Diminuir texto

Pelo menos cinco depoentes revelaram à Força Tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal do Paraná o esquema montado para o pagamento de propinas pela Odebrecht, em forma de doação à campanha de reeleição de Richa em 2014, pelo contrato de duplicação da PR 323.

A defesa do ex-governador Beto Richa contestou a denúncia apresentada nesta quarta-feira pelo Ministério Público Federal contra seu então chefe de gabinete, Deonilson Roldo, o empresário Jorge Atherino, apontado como seu operador,  e outras nove pessoas, dizendo que a peça acusatória baseia-se apenas no depoimento de delatores que buscam reduzir suas penas.

A versão sustentada pelo MPF, no entanto, foi revelada aos procuradores por cinco diferentes depoentes, que ainda apresentaram documentos, registros de agendas e viagens, abriram seus sigilos telefônicos e entregaram, até, gravações de conversas com os denunciados para sustentar suas declarações.

Na denúncia, o MPF anexou o depoimento de três executivos da Odebrecht, que narram toda a negociação para a obtenção do contrato, as reuniões com Deonilson Roldo, e as visitas de Jorge Atherino para a cobrança da prometida “doação de campanha”.  Diretor Superintendente das Regiões São Paulo – Sul da construtora em 2014, Luiz Bueno Junior confessou que solicitou a Roldo o apoio do governo do estado para que a Odebrecht vencesse a concorrência, pedindo, inclusive, para que ele intercedesse junto a possíveis concorrentes para que elas não apresentassem proposta. Ele relatou que recebeu sinalização positiva de Roldo, que comentou que contava com o apoio da companhia para a campanha de reeleição de Richa naquele ano. O executivo contou que foi procurado, depois de vencida a licitação, por Jorge Atherino, que lhe cobrou o compromisso assumido e aprovou, junto a seus superiores, o pagamento de R$ 4 milhões à campanha do tucano, via caixa 2.

 

Quem autorizou o pagamento foi Benedicto Junior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura. Em seu termo de colaboração, ele confirmou que mandou pagar os R$ 4 milhões à campanha de Richa através do Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira e apresentou ao MPF registros do sistema Drousys, que contabiliza a propina na Odebrecht, do pagamento de R$ 1,5 milhão ao codinome “piloto”, como Beto Richa era chamado nas planilhas da empresa, por conta de seu gosto pelo automobilismo.

 

Subordinado a Bueno Junior e Benedicto Junior, o diretor de contrato de Odebrecht na ocasião, Luciano Pizzatto, contou que foi ele que agendou as reuniões com Roldo e os encontros com Atherino.  Que foi ele que informou que os recursos seriam repassados em forma de caixa 2, e teve a concordância do operador denunciado.

 

Outro depoimento importante na denúncia é de Pedro Rache de Andrade, diretor operacional da Contern, empresa do Grupo Bertin, que se interessou pelo contrato. Andrade conta que foi chamado por Roldo para uma reunião no Palácio Iguaçu, em que o chefe de gabinete do governador insistiu para que sua empresa se afastasse da licitação. Andrade gravou a conversa com Roldo, que foi entregue ao MPF pelo ex-deputado Tony Garcia, e também consta na denúncia.

 

Esquema era reproduzido em diversas áreas do estado

Mas o depoimento mais contundente no inquérito que gerou a denúncia é do ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER), Nelson Leal Junior. O delator, que já é peça chave de outra ação penal que tramita na Justiça Federal (que apura o pagamento de propina pelo Econorte ao DER, disse que diversas empresas que operam com o Estado pagam propina a um suposto caixa único que seria gerenciado por Deonilson Roldo após a prisão de Luiz Abi, que era responsável pela arrecadação paralela do grupo político até ser preso, em 2015, pela Operação Publicano.

Segundo Leal Junior, o esquema funcionava, pelo menos, no DER, na Receita Estadual, no Porto de Paranaguá, na Sanepar e na Fomento Paraná. O delator contou que, enquanto esteve à frente do DER, recebia R$ 30 mil mensais de Aldair Petry, que gerenciava a arrecadação de propinas junto a empresas com contratos com a autarquia. Leal Junior contou que o dinheiro era ocultado em empresas ligadas a Luiz Abi que, posteriormente, faziam doações oficiais à campanhas dos aliados do grupo político.

Sobre o contrato da PR 323, Leal Junior contou que, além da propina paga pela Odebrecht, o  governo do Paraná exigiu a entrada de três empresas locais no consórcio. A intenção, segundo Leal era o repasse de parte da arrecadação durante os 30 anos de concessão, o que não ocorreu porque o consórcio desistiu do contrato.

Fonte: AN Notícias com PR UOL