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29/06/2019 02h26

Em diálogos, procuradores lamentam Moro no governo: ‘Queima a Lava Jato’Site The Intercept Brasil expõe diálogos de membros da força-tarefa da Lava Jato neste sábado (29)

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Em novos vazamentos divulgados na madrugada deste sábado 29, o site The Intercept Brasil expõe diálogos de membros da força-tarefa da Lava Jato que lamentam a aproximação de Sergio Moro com Jair Bolsonaro, temerosos de que a credibilidade da Lava Jato pudesse ser questionada com a nomeação do ex-juiz como ministro da Justiça e Segurança Pública.Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, é um dos promotores que reprovam a entrada no governo.

Em um dos trechos, Monique Checker, procuradora do MPF no Rio de Janeiro, critica, em diálogo com o procurador Angelo Goulart Villela, a conduta de Moro como juiz: ‘(ele) sempre viola o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”, diz Checker, no dia 1º de novembro de 2018, quando Moro aceitou o convite para ser ministro do governo Bolsonaro. 

Pouco antes e pouco depois da data, enquanto a imprensa veiculou que Moro se reuniu com Bolsonaro e a iminência de que aceitaria deixar o posto de juiz da Lava Jato para assumir um ministério, as trocas de mensagens vazadas pelo site mostram diversos membros da força-tarefa criticam a movimentação do hoje ministro.
 

Procuradora criticada por Moro em outros vazamentos do The Intercept Brasil, Laura Tessler diz, em 31 de outubro de 2018: “Acho péssimo. Ministério da Justiça nem pensar… além de ele não ter poder para fazer mudanças positivas, vai queimar a Lava Jato. Já tem gente falando que isso mostraria a parcialidade dele ao julgar o PT. E o discurso vai pegar. Péssimo. E ‘Bozo’ [nome utilizado para se referir a Jair Bolsonaro] é muito mal visto… se juntar a ele vai queimar o Moro.

No mesmo dia, a procuradora Isabel Cristina Groba Vieira, da Lava Jato em Curitiba, afirma: “É o fim ir se encontrar com Bolsonaro e semana que vem ir interrogar o Lula” – ainda antes de Moro aceitar o convite do presidente.

“Ele se perdeu (na vaidade) e pode levar a Lava Jato junto. Com essa adesão ao governo eleito toda a operação fica com cara de “República do Galeão”, uma das primeiras erupções do moralismo redentorista na política brasileira e que plantou as sementes para o que veio dez anos depois”, diz João Carlos de Carvalho Rocha.

Outro procurador da operação, Antônio Carlos Welter, enfatiza que a postura de Moro era “incompatível com a de juiz”. Para ele, assim como outros participantes das conversas, não haveria problema se o ex-juiz aceitasse uma indicação para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal, mas um cargo direto no governo Bolsonaro despertaria dúvidas, especialmente no caso da condenação do ex-presidente Lula.

Welter pondera: “Ministro do STF é um cargo no judiciário, que seria o reconhecimento máximo na carreira. Como ministro da justiça, [Moro] vai ter que explicar todos os arroubos do presidente, vai ter que engolir muito sapo e ainda vai ser profundamente criticado por isso. Veja que um dos fundamentos do pedido feito ao comitê da ONU para anular o processo do Lula é justamente o de falta de parcialidade do juiz. E, logo após as eleições, ele [Moro] é convidado para ser ministro. Se aceitar vai confirmar para muitos a teoria da conspiração. Vai ser um prato cheio. Às vezes, o convite, ainda que possa representar reconhecimento (merecido), vai significar para muita gente boa e imparcial, que nos apoia, sem falar da imprensa e o PT, uma virada de mesa, de postura, incompatível com a de juiz”.

Monique Checker expõe visão semelhante. “A ‘escadinha’ disso tudo foi terrível: Moro ajudou a derrubar a esquerda, sua esposa fez propaganda para Bolsonaro e ele agora assume um cargo político. Não podemos olhar isso e achar natural”, diz.

A mulher de Moro, Rosângela, é citada em diálogos no período por comemorar publicamente a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. José Robalinho Cavalcanti diz que tal gesto foi um “erro crasso” que “compromete Moro. E muito”. No mesmo diálogo, logo após Bolsonaro ser anunciado vencedor das eleições, Janice Agostinho Barreto Ascari diz: “Moro já cumprimentou o eleito. Como perde a chance de ficar de boa”.

Em 6 de novembro, em um chat privado com Janice Ascari, Deltan Dallagnol diz: “Temos uma preocupação sobre alegações de parcialidade que virão. Não acredito que tenham fundamento, mas tenho medo do corpo que isso possa tomar na opinião pública. Na minha perspectiva pessoal, hoje, Moro e Lava Jato estão intimamente vinculados no imaginário social, então defender o Moro é defender a Lava Jato e vice-versa. Ainda que eu tenha alguma ponderação pessoal sobre a saída dele, que fiz diretamente a ele, é algo que seria importante defender”.

 

Fonte: AN Notícias com MSN Brasil

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