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23/02/2015 08h31

Igreja afasta padre Zenildo após gravidez de ministra em MandaguariNão se fala em outra coisa na pequena cidade de Mandaguari do caso

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Não se fala em outra coisa na cidade de Mandaguari desde o domingo (8/2). Desde que o padre Zenildo Megiatto, 65, anunciou sua aposentadoria e consequente retirada da Paróquia Bom Pastor, a comunidade local especula se esse é o real motivo de seu afastamento ou se há algum outro “fato oculto” que motivou sua saída do local que comandou nos últimos seis anos.

Em parte é verdade: o padre realmente se aposentou do sacerdócio. Como todo trabalhador que recolhe INSS para um dia se aposentar, Megiatto era, na função de padre, funcionário da Arquidiocese de Maringá. Logo, se aposentou ao completar a idade mínima para tal.

Mas além desse fato, padre Zenildo foi, ao mesmo tempo que aposentado, afastado de suas funções no sacerdócio, já que infringiu uma das regras básicas assumidas em sua ordenação. Há pelo menos dois anos ele mantém uma relação amorosa com Lucimar Mendes, 35 anos, uma ex-ministra de eucaristia do Jardim Cristina.

Não bastasse esse fato, Lucimar está grávida de uma menina já no 8º mês de gestação, a criança deve nascer em março. Megiatto é o pai, mas não pretende se casar. Atualmente, a gestante mora na casa de um irmão na cidade de Londrina.

 

Saída

Lucimar Mendes deixou Mandaguari em novembro. A uma amiga, disse que tinha se mudado para Foz do Iguaçu, mas comentou com poucas pessoas para onde tinha ido.

Um irmão da jovem, Edivaldo Reis da Silva, conhecido como Quebrinha, confirmou que ela está morando atualmente em Londrina, na residência de um outro irmão. “Somos em 11 irmãos, e o único que não aceitou bem tudo isso fui eu, mas paciência, fazer o quê?”, disse.

O fruto da relação é uma menina e o bebê deve nascer em poucas semanas, no mês de março. “Ele garantiu que vai assumir a paternidade, mas nunca nos procurou”, afirmou.

 

Dom Anuar

Quem confirmou oficialmente a informação para o Jornal Agora foi nada menos que a Arquidiocese de Maringá, à qual pertence a Paróquia Bom Pastor e de quem Zenildo Megiatto era funcionário. Sua origem é o município de Marialva e o padre é primo de primeiro grau do prefeito daquela cidade, Edgar Silvestre, o Deca.

O jornalista Everton Barbosa, assessor de comunicação da diocese, confirmou também que Dom Anuar Battisti, arcebispo metropolitano, virá a Mandaguari no próximo domingo, 1º de março, em uma celebração marcada para as 8h. Na ocasião, o líder máximo da Igreja Católica na região vai confirmar à comunidade oficialmente a informação antecipada pelo Jornal Agora, de que o padre será pai e foi afastado de suas funções religiosas.

“É uma determinação do papa Francisco, de que nada seja abafado e de que a igreja assuma as suas falhas. Erramos e vamos assumir nossa falha”, informou a assessoria.

No site oficial da arquidiocese não consta mais o nome do padre Zenildo Megiatto, o que acontecia até a poucas semanas. A igreja deu suporte para sua saída do município, inclusive com o empréstimo do veículo da comunidade, que já foi devolvido à paróquia.

Ainda de acordo com a arquidiocese, Zenildo Megiatto não tem mais o direito de exercer o sacerdócio e foi desligado automaticamente de suas atividades na igreja, mas mantém a chancela de padre. “Uma vez ordenado, ele será sempre padre, mas cometeu o pecado do adultério”, confirmou.

De acordo com as regras da igreja, ele pode exercer novamente o sacerdócio após sua filha se tornar maior de idade.

 

Relação era comentada entre paroquianos

Não são poucos os relatos ouvidos pela reportagem sobre a suposta relação entre o padre e a ministra da eucaristia. Abordados pelo jornalista, muitos paroquianos evitaram comentários. Os que se aventuraram, o fizeram somente sob a condição de total anonimato. Em todos, uma certeza, ambos tinham uma relação que ultrapassava uma simples amizade entre religiosos.

“Desconfiei pela primeira vez após uma missa residencial em junho de 2013. O padre foi embora, e ela saiu logo após. Ele deu a volta no quarteirão e a apanhou na esquina atrás da residência onde a missa se realizou. Achei esquisito a partir daquele dia. Eu e meu marido presenciamos”, contou uma assídua frequentadora da igreja.

Em outro relato, um morador das proximidades da paróquia disse ter presenciado uma cena estranha há cerca de um ano. “Eram 2h30 da madrugada e ambos saíram de carro da casa paroquial. O padre tomou um susto quando me viu e tentou disfarçar. Fiquei ‘na minha’ e vi que ele voltou sozinho minutos após.”

A proximidade de Lucimar Mendes com o padre teria antecipado sua saída da comunidade à qual fazia parte, Santa Terezinha, no Jardim Cristina. Uma amiga dela contou à reportagem que a ex-ministra alegou ter sido perseguida. “Minha ligação com o padre provocou muito ciúmes a acabei praticamente expulsa da minha comunidade”, teria confidenciado a essa amiga. Procurada, uma das líderes da igreja não quis se manifestar sobre os acontecimentos.

 

Aos 34 anos, Padre Claudemir assume a Bom Pastor

Entre as mais antigas paróquias da Arquidiocese de Maringá, a Bom Pastor será comandada a partir de agora pelo jovem Claudemir Ricardo da Silva, 34, que chegou a Mandaguari em fevereiro de 2014, há um ano.

Abordado sobre a saída do padre Zenildo, evitou qualquer tipo de posicionamento. “Não quero piorar a situação para a igreja, quero preservá-la, e meu trabalho é organizar a comunidade e fazer um trabalho de acolhida”, confirmou.

Nascido em Toledo, mas radicado em Sarandi, Silva garantiu que sua chegada tem uma missão específica. “Vim para buscar os afastados e trazê-los de volta para a igreja.” Atualmente a Comunidade Bom Pastor é subdividida em 11 comunidades menores, sendo oito urbanas e três rurais.

Sobre o envolvimento político-partidário de religiosos, foi taxativo. “Não vou me envolver em política. Isso só dividiu a comunidade e não vou cometer esse erro”, finalizou.

Fonte: AN Notícias com Agora

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