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Apucarana, 25 de Setembro de 2018

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09/08/2017 02h12

Veja: quiproquó marcam velório dos irmãos que faleceram na PR-444 segunda-feira (07)Com o atraso na chegada dos corpos, moradores reclamaram de ter de ficar por horas fora da capela no aguardo

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Primeiro previsto para ocorrer durante a manhã, depois no início da tarde, depois no fim da tarde, o velório dos irmãos de Mandaguari, Jean Lucas Almeida de Oliveira, 21 anos, e Edivania Almeida de Oliveira, 18, começou por volta de 20h desta terça-feira (8). Eles faleceram em acidente de trânsito registrado na PR-444na noite de segunda-feira (7).

A funerária que atendeu a família em luto, do Grupo Acácia de Arapongas, explicou que a demora ocorreu na liberação dos corpos pelo IML (Instituto Médico Legal) de Apucarana. “Fomos buscá-los já próximo a uma hora da tarde, depois disso são pelo menos três horas de preparação e, em se tratando de duas vítimas, seis horas”, explicou o funcionário da empresa que esteve em Mandaguari.

Pouco antes de o Sistema Prever abrir as portas da Capela Mortuária – lembrando que o Prever possui concessão de uso do espaço por 20 anos, tendo em contrapartida realizado diversas melhorias no imóvel, como ampliação e reforma, moradores revoltados ameaçavam entrar à força no local. “É um descaso muito grande com as pessoas que estão aqui desde o começo da tarde. Têm familiares que viajaram a noite toda de ônibus, que vieram de Curitiba e até do Estado de São Paulo, e que gostariam apenas de se sentar, usar o banheiro, tomar água”, comentou um morador que não quis se identificar. “Os próprios pais dos jovens estão aqui, chega a ser desumana essa situação.”

Houve quem filmou a grande quantidade de amigos e familiares dos irmãos que aguardava em frente à capela para a despedida, e o clima de tensão que se misturou à comoção momentos antes do início do velório. As imagens foram compartilhadas em rede social (ver abaixo).

Um dos funcionários do Prever disse que a entrada no recinto só é liberada após a chegada dos corpos e que, primeiro, os familiares mais próximos é que são chamados para entrar na sala. “São normas da empresa para todos os casos. Ressaltando ainda que ontem houve o registro de mais um óbito, e a equipe estava ocupada com o atendimento à família e preparação do corpo, ou seja, não havia ninguém para dar assistência para essas pessoas dentro da capela.”

Os corpos chegaram ao município às 19h40; dez minutos após, foi permitido o acesso ao interior do ambiente.

 

Crítica

Além do que considerou pouco-caso com as pessoas que aguardavam os corpos dos jovens que faleceram de forma trágica em acidente automobilístico, o agente funerário do Grupo Acácia de Arapongas criticou os valores cobrados pelo Sistema Prever pelo aluguel do espaço, complementação do serviço – uma vez que, segundo a concessionária, nenhuma outra empresa pode operar dentro da Capela Mortuária – e de assistência aos familiares. No caso, foram cobrados R$ 700 por falecido – R$ 1,4 mil no total.

“Eu trabalho em funerária há muitos anos e nunca vi algo parecido, fiquei chocado. Normalmente as capelas mortuárias são do município e ficam à disposição para o uso das empresas que prestam esse serviço. Em muitas cidades as prefeituras nem cobram do morador a utilização do espaço. Nós vamos, organizamos o velório e depois limpamos o local para que outra empresa possa utilizar. Acredito que Mandaguari precisa repensar essa situação, que acaba deixando a população sem direito de escolha, ou seja, a mercê da prestação de serviço de apenas uma”, ressaltou o funcionário da Acácia.

Em contato com a Prefeitura Municipal para que intermediasse um valor mais acessível junto ao Prever, ele afirmou que a resposta que obteve junto ao Executivo foi a de que “a negociação deveria ser feita entre as funerárias”. “E esse valor cobrado é à vista. Como é que se faz para chegar às pessoas com baixo poder aquisitivo e falar que elas vão ter de arcar com essa quantia? E ainda em um momento de tanta tristeza pela qual estão passando? A meu ver, primeiro temos de amenizar a dor das famílias, depois vem a questão dos custos.”

 

Outro lado

Segundo o Prever, houve, em 2015, um processo de licitação para que fosse definida a empresa que teria a concessão de uso da Capela Mortuária de Mandaguari pelos próximos 20 anos e que está firmado em contrato o uso exclusivo do local, mediante todas as melhorias que deveriam ser proporcionadas pela ganhadora do certame, como a ampliação da área construída, aumento de duas para três salas de velório, todas com banheiro e aposento para familiares, saguão, banheiro público, cozinha, climatização dos ambientes, enfim, contrapartidas contratuais. “Para quem lembra como era antes, é uma nova capela, um espaço digno para a realização de cerimônias fúnebres, estrutura que conta ainda com funcionários extremamente competentes para as funções que exercem.”

A empresa também explicou que para os associados o custo é zero com relação a aluguel/manutenção/assistência aos familiares, bem como para quem é atendido pelo Prever. “Para os demais, o aluguel é de R$ 60, taxa que se manteve à praticada antes da concessão para cobrir custos operacionais. A questão é que, quando contratada outras empresas, existem os custos de complementação do serviço de velório e sepultamento, que ficam sob nossa responsabilidade, e ainda de assistência aos familiares, se assim desejarem, com café, zeladora, que são repassados para a empresa contratada, e não para a família. A empresa, que irá receber da seguradora valor integral da contratação, custeia parte dos nossos serviços, que é o que chamamos de complementação.”

Destacando que há a isenção de taxas de velório e sepultamento para as famílias que venham a comprovar situação de vulnerabilidade; cabe ao Executivo Municipal a avaliação dos casos.

 

Projeto

Explicações dadas de ambos os lados, há dois pontos no projeto aprovado pela Câmara Municipal com relação à concessão de uso de espaço público que chamam atenção por parecerem contraditórios: o artigo quinto diz que “a concessionária terá exclusividade para exploração do serviço funeral da capela” – o que proibiria a atuação de outra empresa no local; já o artigo nono garante que “será livre aos munícipes a contratação de atividades funerárias por outras empresas, cabendo meramente o pagamento à empresa concessionária da taxa referente à utilização do espaço público [R$ 60]”.

 

Sepultamento

Mesmo com o atraso no início do velório, está mantido o horário de sepultamento de Jean Lucas Almeida de Oliveira e Edivania Almeida de Oliveira para as 9h desta quarta-feira (9), no Cemitério Municipal.

 

 

Fonte: AN Notícias com Agora

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