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13/11/2014 10h09

Após pouso turbulento, cientistas confirmam estabilidade de sonda em cometaDados iniciais mostraram que Philae não pousou como planejado e flutuou duas vezes antes de se prender a cometa

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Momentos turbulentos durante o pouso do módulo Philae em um cometa deixaram apreensivos os cientistas envolvidos na missão.

Dados apontaram que o veículo - do tamanho de uma máquina de lavar roupa - teve de efetuar três tentativas de pouso até conseguir utilizar seus arpões para se ancorar com estabilidade. Houve falhas também no sistema de propulsão em direção à superfície do cometa.
 

A telemetria indicou que o Philae se desprendeu, flutuou e retornou à superfície do cometa, a 500 milhões de quilômetros da Terra. Informações posteriores indicaram que o robô repetiu esse movimento, levando duas horas para se estabilizar.

O intervalo entre o primeiro e o segundo pouso teria sido de cerca de duas horas; e o espaço entre o segundo e o terceiro, de menos de 10 minutos.

Segundo leituras iniciais, o módulo afundou cerca de 4cm na superfície do cometa, sugerindo uma camada exterior relativamente macia.

Apesar do sucesso, os cientistas estavam temerosos em relação à estabilidade do módulo - que foi confirmada por novos dados recebidos nesta quinta-feira.

'Grande passo'
O robô Philae conseguiu aterrissar no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko às 14h05 (horário de Brasília) de quarta-feira após se desprender da sonda Rosetta.

"Pousamos o cometa naquele momento em que todos vocês nos viram celebrando", disse o coordenador do projeto, Stephan Ulamec, fazendo referência às imagens da comemoração da equipe científica divulgadas após o feito.

"Tivemos um sinal bem claro ali: recebemos dados do pouso. Esta é a boa notícia."

Mas em seguida veio a "má notícia" sobre o desprendimento do módulo e o que a Agência Espacial Alemã chamou de "segundo pouso" do Philae.

Um dos temores iniciais dos cientistas era de que a parte externa do cometa fosse revestida por gelo, o que poderia fazer o robô quicar na superfície e se afastar da rocha em vez de aterrissar - já que há pouca gravidade no local. O temor não se concretizou.
 

O diretor-geral da Agência Espacial Europeia, Jean Jacques Dordain, disse que "este é um grande passo para a civilização".

"Sabíamos que este tipo de feito não iria cair do céu, só com trabalho duro e muito conhecimento."

Agora, o módulo fará análises da composição da superfície do corpo celeste, o que pode oferecer novas pistas sobre a formação do Sistema Solar e da vida na Terra.

Os dados poderão ajudar a elucidar mistérios sobre cometas como esse - relíquias geladas dos tempos da formação do Sistema Solar.

US$ 1 bilhão
Uma das teorias sobre o início da vida na Terra postula que os primeiros ingredientes da chamada "sopa orgânica" vieram de um cometa, considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar.

A missão Rosetta, batizada em homenagem à pedra que possibilitou a tradução dos hieróglifos egípcios, foi planejada na década de 80 e custou ao menos US$ 1 bilhão.

A sonda foi lançada em março de 2004 e, desde então, já orbitou o sol cinco vezes, ganhando velocidade "surfando" a gravidade da Terra e de Marte.

Para atravessar a parte mais gelada de sua rota, a sonda foi desligada em 2012 e somente reativada em 1º de janeiro deste ano.

Por enquanto, ainda não há informações sobre a natureza dos materiais encontrados na superfície do cometa.

Se tudo correr conforme o planejado, novas fotos devem ser enviadas em breve. O robô também começará sua análise da composição química do corpo celeste.

 

 

Fonte: G1

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