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Apucarana, 24 de Novembro de 2020

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11/08/2018 03h40

Marido acusado de matar advogada de Guarapuava afirma que não lembra do que ocorreuO Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitou a avaliação psicológica do réu

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Um laudo de um médico psiquiatra da Secretaria Municipal de Saúde de Guarapuava aponta que o professor Luís Felipe Manvailer, de 32 anos, acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner, “não lembra o que ocorreu” no dia em que a esposa caiu do 4º andar do edifício onde moravam. O médico foi enviado à Penitenciária Industrial do município. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitou a avaliação psicológica do réu. O laudo foi assinado pelo profissional nesta quinta-feira (9) e anexado ao processo nesta sexta-feira (10).

No documento, o médico relata que Manvailer “acha que a esposa pulou da sacada”, mas que “não lembra do que ocorreu”. Além disso, relata que se ele realmente fez isso, “deveria morrer”. Nesta semana, a defesa do professor pediu transferência do suspeito para o Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, após ele alegar tentativa de suicídio.

No laudo médico desta quinta-feira, o psiquiatra destacou que o acusado apresentava “marca, aparentemente de barbeador no pescoço, sem aparentes riscos para alguém que é formado em biologia, e deve saber onde e como pode lesionar-se de uma forma fatal”.

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O médico descrever que Manvailer também não explicou o motivo de ter limpado as manchas de sangue do elevador e nem de ter fugido em direção ao Paraguai.

 

Segundo o médico, o professor contou que usou maconha apenas cinco vezes na vida e que naquela noite tinha apenas consumido gym, vodka e uísque. Negou o uso de drogas.

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O CASO

Tatiane foi encontrada morta no apartamento em que morava com Manvalier no último dia 22 de julho. Imagens mostram ela sendo agredida antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional. Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.

“Ainda, de acordo com o Laudo Pericial de Local de Morte, de fls. 239-249, o acusado, durante a execução do crime de homicídio, produziu lesões características de esganadura na vítima, quais sejam, ‘estigmas ungueais nas regiões laterais do pescoço, características de esganadura’, praticando o delito mediante asfixia. O denunciado, ao matar a vítima, agiu mediante recurso que dificultou a sua defesa, em razão da sua superioridade física em face da ofendida e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação por parte desta. Ademais, o denunciado praticou o presente crime contra mulher por razões da condição de sexo feminino, já que Tatiane Spitzner era sua esposa, caracterizando violência doméstica e familiar”, diz a denúncia.

Sobre o cárcere privado, a denúncia narra que Luis Felipe impediu, mediante violência, que Tatiane se afastasse, por pelo menos três vezes, constrangendo-a a deixar a garagem do edifício em sua companhia, a permanecer dentro do elevador e a ingressar no apartamento em que residiam, restringindo a liberdade de locomoção da vítima, conforme as filmagens do circuito interno de câmeras do edifício.

A denúncia sobre o crime de fraude processual ocorre porque o acusado tentou adulterar a cena do crime. As imagens do circuito interno do edifício mostram que Luis Felipe Manvailer recolheu o corpo da vítima após a queda, levou até o apartamento e depois limpou o chão e elevador que ficaram sujos de sangue.

“[…] Ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, inovou artificiosamente, visando produzir efeito em processo penal ainda não iniciado, o estado de lugar e de coisas, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, mediante a remoção do corpo da vítima TATIANE SPITZNER do local da queda e limpeza de vestígios de sangue”, diz a denúncia

O advogado da família de Tatiane, Gustavo Scandelari, afirma que todas as provas e laudos até agora, contradizem o que foi dito por Manvailer em depoimento.

“Provas do inquérito, que são os depoimentos, especificamente no perfil mais agressivo do indiciado, destacando que a Tatiane estava tentando o divórcio mas que ele era contra, o laudo constata a marca de esganadura e as marcas do pescoço de Tatiane. As próprias filmagens mostram que ela estava desesperadamente fugir do marido para evitar ser agredida”, diz Scandelari.
 

SUSPEITO PRESO

Luís Felipe está preso desde o dia 22 de julho, quando foi encontrado após se envolver em um acidente em uma rodovia a cerca de 320 km de Guarapuava. Ele dirigia o carro da advogada e seguia em direção a fronteira com o Paraguai e Argentina. Ele é acusado pelos crimes de homicídio com quatro qualificadoras (meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio), cárcere privado e fraude processual.

A perícia indicou que Tatiane teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.

 

Fonte: AN Notícias com PR UOL

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