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10/12/2017 04h57

O papiro com os segredos de JesusPesquisadores descobrem fragmento de texto apócrifo em que Cristo se refere ao apóstolo Tiago como seu “irmão” e no qual afirma que o mundo material é uma prisão criada por um ser maligno

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Um texto que complementa o relato bíblico da vida e do ministério de Jesus, permitindo o acesso a conversas que ele teria mantido com o apóstolo Tiago, supostamente seu irmão, pode ser a maior descoberta arqueológico de caráter religioso dos últimos tempos. “Não suspeitávamos que os fragmentos gregos do ‘Primeiro Apocalipse de Tiago’ tivessem sobrevivido”, afirmou Geoffrey Smith, um dos pesquisadores responsáveis pelo achado. “Mas lá estavam eles, bem na nossa frente”, disse Smith, que é professor assistente de estudos religiosos na Universidade do Texas, em Austin (EUA). Ele fez a descoberta no início do ano, junto com o colega Brent Landau, e ambos mantiveram sigilo até a Reunião Anual da Sociedade de Literatura Bíblica, em Boston, também nos Estados Unidos, em novembro. “Esta nova descoberta é significativa por demonstrar que os cristãos ainda estavam lendo e estudando escritos extra-canônicos muito tempo depois de os líderes cristãos os considerarem heréticos”, disse Smith ao anunciar a descoberta. O termo extra-canônico se refere aos textos gnósticos que ficaram de fora do cânone estabelecido pelo bispo Atanásio de Alexandria no ano 367 a.C., após o Concílo de Niceia, quando foram definidos os 27 livros aceitos como pertencentes ao Novo Testamento. O banimentos dos textos gnósticos apócrifos, cuja autoria é atribuída aos cristãos primitivos, se deveu ao modo como eles retratam Jesus: muito mais um mestre espiritual com a missão de espalhar conhecimento sobre o homem e o universo do que como Messias, o filho de Deus.

O material foi encontrado depois de dois anos de pesquisas junto aos mais de 200 mil documentos acumulados na Universidade de Oxford, na Inglaterra, desde as pioneiras escavações dos papirólogos Bernard Pyne Grenfell e Arthur Surridge Hunt feitas em um antigo depósito de lixo en z, no Egito, a partir de 1896. Boa parte do que foi encontrado ali é formada por recibos de impostos, contratos de compra e venda e outros registros da vida cotidiana, mas há também textos literários e religiosos. Até então, os poucos escritos gnósticos que haviam sido preservados eram os da Biblioteca de Nag Hammadi, nome dado à coleção descoberta em 1945 na cidade egípcia de mesmo nome pelo camponês Mohammed Ali Samman. Eles estavam guardados dentro de potes de barro que foram selados e enterrados, possivelmente por monges dedicados a preservar os livros proibidos pela Igreja Católia. A técnica de preservação deu certo e os papiros ficaram protegidos por mais de 1.600 anos.

“Ensinamentos secretos”

O mais interessante do documento encontrado entre os papiros de Oxford, claro, é seu conteúdo, com “ensinamentos secretos” que Jesus teria transmitido diretamente para o apóstolo Tiago, possivelmente seu irmão. Eles incluem revelações sobre o reino celestial, afirmam que o mundo material é uma prisão criada por um ser maligno e que o caminho dos humanos a vida após a morte era bloqueado por “archons”, entidades semelhantes aos anjos e demônios do Antigo Testamento. Referindo-se a Tiago como “irmão” (embora “não materialmente”), Cristo teria preparado o apóstolo para difundir seu conhecimento,
A maior parte dos textos gnósticos foram escritos em copta, a língua usada no Egito principalmente entre os séculos 3 e 6, mas os fragmentos encontrados por Smith e Landau estão em grego. Uma hipótese levantada pelos pesquisadores é que se trate de uma espécie de material didático, utilizado para auxiliar jovens egípcios no aprendizado do idioma. Duas características reforçam a crença: a caligrafia, bastante uniforme; e a separação das palavras em sílabas com uso de traços, um recurso que aparece “frequentemente em manuscritos usados em contextos educacionais”, segundo o pesquisador Brent Landau. Seja qual for a explicação para o texto ter sido escrito em grego, trata-se da primeira cópia conhecida do “Primeiro Apocalipse de Tiago” na língua de Homero.

Assim que o engenheiro Oded Golan (foto abaixo), um judeu aficionado por relíquias, revelou a existência de uma arca com os restos mortais do apóstolo Tiago — e uma evidência de que ele seria irmão de Jesus — a Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) tentou desqualificar o objeto. Primeiro, os peritos alegaram que a inscrição em aramaico “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” seria forjada. Depois, tentaram provar que apenas o trecho “irmão de Jesus” era falso. Passaram-se mais de cinco anos até que Golan fosse absolvido da acusação de falsificar o ossário de Tiago. No processo de 12 mil páginas foram ouvidas 133 testemunhas, entre elas, peritos em datação com carbono-14, arqueologia, história bíblica, paleografia, geologia, biologia e microscopia. Até que Yuval Gorea, um especialista em análise de materiais da IAA, admitiu que os testes microscópicos confirmaram que tanto a primeira quanto a segunda parte da inscrição têm a mesma idade do caixão: 2 mil anos. Com a absolvição de Golan, o ossário foi também reabilitado. Ele é considerado a maior evidência do parentesco entre Tiago e Jesus Cristo, o que a Igreja ainda não admite.

Fonte: AN Notícias com IstoÉ

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