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02/07/2013 09h47

Anúncio de que "deixamos" o Sistema Solar pode ocorrer no RioDeixando o Sistema Solar, Voyager segue em busca do meio interestelar

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Pela primeira vez na história, um objeto feito pelo homem vai romper a fronteira do Sistema Solar: a nave Voyager, lançada em 1977, já pode ter ultrapassado a zona de influência do campo magnético do Sol. E a expectativa é que esse anúncio, um novo marco para a ciência, seja feito nesta semana no Rio de Janeiro.

 

A cidade está recebendo cerca de mil pesquisadores da área de física de partículas, um campo muito específico da ciência, para um dos mais importantes encontros da área, a Conferência Internacional de Raios Cósmicos (ICRC), que pela primeira vez ocorre na América do Sul. Além desse anúncio, também são esperados os mais recentes resultados na pesquisa com neutrinos, partículas de energia que transitam milhões de quilômetros pelo universo.

 

A presença desses neutrinos, partículas que atravessam praticamente qualquer coisa, só foi confirmada com a montagem de um equipamento gigantesco enterrado no solo antártico. O chamado IceCube, cubo de gelo, em português, é um projeto internacional colaborativo que custou US$ 270 milhões.

 

São mais de 5 mil sensores esféricos de luz, ligados por cabo, formando 86 colares verticais sob o gelo do polo sul, a cerca de 1,5 quilômetro de profundidade. Essa espécie de cubo filamentoso consegue medir a energia dos neutrinos que a atravessam, descartar as incontáveis partículas que chegam a partir do Sol, e medir a energia daquelas que podem ter origem em estrelas de outros sistemas.

 

Aliás, se outras estrelas enviam partículas que chegam à Terra, chegou a hora de serem estudadas mais de perto. A Voyager vai ser o primeiro equipamento terrestre a medir o valor do campo magnético das estrelas mais próximas ao Sistema Solar ao entrar no espaço profundo. Isso porque, o campo magnético solar – a heliosfera – funciona como um escudo que protege os planetas do sistema do bombardeio de partículas cósmicas ultraenergéticas. Sem essa influência, a nave poderá captar dados completamente novos.

 

Um dos coordenadores da conferência, o pesquisador Ronald Cintra Shellard, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, lembra que a nave está em operação há 36 anos, com sistemas de computador da década de 70. Ela voa movida a baterias de plutônio, em uma região em que o Sol não passa de um ponto de luz no céu e onde os painéis fotovoltaicos não têm qualquer serventia.

 

Após percorrer cerca de 19 bilhões de quilômetros – quase 125 vezes a distância da Terra ao Sol – é difícil precisar se a nave já atravessou essa fronteira ou se navega pela zona limítrofe. A certeza quanto à posição e aos resultados mais recentes dessa viagem sem volta serão apresentados no Rio pelo pesquisador Ed Stone, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), que dedicou sua vida a acompanhar a jornada da Voayager.

Fonte: Terra